Ela dorme na calçada.Faz mais de meio dia jána vida da grande cidade.Avança a a tarde .Linda mocinha , apesar dedeitada no chão da rua,como se fosse da pobreza o estandarte.Sobrancelhas lindamente esculpidas ,cílios longos ,espessos,naturais e muito pretos.Nariz escultural .Boca desenhada .Lírica.Era muito preciosa de beleza.Eu a nomearia Jade.Toda reluzente de realeza,mesmo quechafurdada na sarjeta.Estava ali jogadano q se chama anti-riqueza.Mas está errado .Ela é realeza.A pele em finocetim marrom cobreado.Brilhava.Teria talvez 13 anos ,assim por alto calculado.Por que saíra de sua casa ?Teria algum dia tido?Conhecera algum ninho?Os braços sobre o peito protegido.O cobertor meio sujo e roído.Dormia, morando talveznum sonho mais lindo.Mais digno.Menos oprimido.Num jogo mais limpo.Quem a terá feridono suposto lar ,pra que ela tenha a rua preferido?O companheiro da mãe,o novo marido?Um padrasto ,o próprio paiou outro monstro conhecido?Que miséria a exilara?Quem desta vez a terá atingido?Percebo.Ó espelho meu.Uma vida negraorganicamente me importa.Narciso percebeu.Ela também sou eu.Ô gente ,acode ela!Tem uma menina preta abandonadadormindo nas ruas de Copacabana.Todos desolhama moça que parece da favela.Morava talvez entre vielas.Ninguém se importa.Nem viva . Muito menos morta.Uma bela adormecida , bela.Não é branca mas é Cinderela.Ô gente acode ela.Ninguém liga.Sigo com ela no peito.Não a esqueço .Não posso.Trago -a pra casa .Trasporto pra dentro da almaa impactante e apagada cena.Faz séculos q invasoresexpulsaram nosso povo da própria terra.Conheço o esquema .Por isto trouxe essa Africazinhapra ficar comigo aqui,sem as invisíveis algemas.Segura, vai viver comigo em livro,ao abrigo livre do poema.Elisa Lucinda, agosto de 2025Inverno criador de versos.